domingo, 27 de abril de 2014

SAMSUNG LAVA E SECA 8,5

Pessoal,



Adquirimos uma máquina lava e seca da Samsung e tivemos o problema HE2 em menos de 6 meses de uso. Comprei a máquina em abril de 2013.

Abrimos 4 Ordem de serviço junto a Samsung e até agora não resolveram o problema (27/04/2014). A máquina apresentou vazamento em mangueira interna e parou de funcionar totalmente.

Sem contar que a Samsung não tem assistência técnica em Joinville SC.

Faz 65 dias que a Samsung não resolve meu problema. Estamos indo a lavanderia.

Não recomendo a compra da Samsung.



obrigada

katia Simoni 

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Porque métodos ágeis geram valor rapidamente?

fonte  http://www.tiespecialistas.com.br/2012/05/porque-metodos-ageis-geram-valor-rapidamente/

 

Eu acredito que são vários os motivos que levam os métodos ágeis a gerarem valor em curto espaço de tempo, mas existem três que se sobressaem:

1. Em projetos ágeis não é necessário fazer uma grande entrega no final do projeto. É possível e desejável que se faça pequenas entregas com a possibilidade do cliente iniciar o uso imediato do que já foi entregue. Isso por si só já leva a uma maximização do ROI dado que o projeto já pode ser usado enquanto novas funcionalidades são criadas. Cada nova entrega pode trazer um pouco de retorno.

2. Como podemos e devemos fazer pequenas entregas, em projetos em que os métodos ágeis são usados, a tendência natural é ignorar os itens que não geram valor. Estudos mostram que somente 20% das funcionalidades são usadas sempre ou frequentemente e 64% das funcionalidades são desperdício.

Isto tudo também faz com que o projeto tenda a ser finalizado antes, liberando os recursos para outras demandas.

3. Em  projetos tradicionais, a mudança de escopo não é bem-vinda, mas em métodos ágeis, as mudanças são bem-vindas, principalmente, quando elas levam a uma melhor adaptação do projeto às necessidades de negócio com definição de prioridades entre elas.

Será que não podemos fazer várias pequenas entregas no lugar de uma grande entrega?

Será que o escopo não pode ser alterado?

Será que as funcionalidades não podem ser reordenadas?

Métodos ágeis representam sim e muito uma quebra de vários paradigmas em relação a forma de como os projetos são conduzidos tradicionalmente e  isso pode ser muito bom se bem utilizado.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Pelo fim das milhas de viagem

Pelo fim das milhas de viagem


Neste momento, eu possuo 7.150 da Gol, 27.465 milhas da United, 2.561 da Delta, e 31.258 daBritish Airways. Em fevereiro usei 60.000 milhas para viajar de São Paulo a Nova York. E acabo de voltar de outra viagem – da Nova Zelândia– após gastar 105.000 milhas. Mas se eu controlasse o universo, o que infelizmente não é o caso, desistiria de todas as milhas de viagens em troca da eliminação total dos programas de fidelidade.
Por quê? Porque, a existência dos programas é ruim para o turista típico. Só para citar uma das muitas razões: estudos econômicos concluem que os preços médios das passagens são mais altas do que seriam se os programas deixassem de existir.

Executivos e outros que viajam a trabalho são os mesmos que nunca pagam nada quando vão de férias
Claro que há muitos beneficiários das milhagens: os executivos e outros profissionais que ganham muitas milhas viajando por conta da empresa, sem gastar nenhum centavo; os obcecados por milhas que passam a vida pesquisando formas de ganhar mais (como cobrar cada Paçoquinha no cartão de crédito para ganhar mais meia-milha); e os que têm agendas tão flexíveis que sempre podem encontrar uma forma de usar suas milhas.
Quem perde são todos os outros. TODOS, até quem nunca pisou num avião na vida mas que comprou um pão de queijo na padaria da esquina hoje de manhã. É, pelo menos teoricamente, esse pão quentinho ficou mais caro pela existência dos programas de milhas. Mas vai ter que ler até o final para saber o por quê.
O primeiro passo é entender que as milhas não são de graça. Quem pensa o contrário é como a criança que acha que o brinquedo do McLanche Feliz é de graça. Sinto muito, minha filha, mas dentro no preço que sua mãe pagou pelo hambúrguer e as fritas estão incluídos alguns centavos para produzir, empacotar e transportar essa sua Barbie que veio "de brinde". E por isso, é lógico, o preço subiu (ou a refeição incluiu menos batatas fritas, ou algo equivalente). Conhece o ditado "não existe almoço grátis"? Pois é. Também não existe Barbie grátis, nem com o almoço pago.
O sistema de milhas, porém, não é tão simples quanto o McLanche Feliz. Mas o básico é igual: as milhas têm um valor monetário, e nenhuma empresa dá de presente.

Muias milhas são perdidas por falta de uso
Quem paga, porém, não é tão óbvio. Às vezes é você mesmo. Quando uma passagem da Gol custa R$ 500 e a mesma rota pela TAM custa R$ 550, mas você decide pela TAM porque é com eles que você acumula milhas e quase tem o suficiente para ir nessas férias para Fernando de Noronha, você pagou R$ 50 pelas milhas.
Mas, às vezes, mesmo o consumidor que viaja não é quem paga. E assim chegamos à primeira verdade infeliz do sistema de milhas:
1 – Quem viaja a negócios com passagem paga pela empresa não desembolsa nada e ganha muito. Difícil negar que os executivos e outros que viajam a trabalho (seja só uma ponte aérea semanal ou São Paulo-Hong Kong três vezes por ano) são os mesmos que nunca pagam nada quando vão de férias. Porque acumulam milhões de milhas em passagens pagas pela empresa. É, essencialmente, um bônus não merecido. (E, detalhe, livre de impostos.) Pior, as milhas deles rendem mais, porque os clientes favoritos e mais frequentes das linhas ganham milhas mais rápido e prêmios maiores do que o turista casual. Sem falar dos executivos que insistem em sempre viajar por sua linha "preferida" – ou seja, a que eles usam para acumular milhas – embora outra linha ofereça um preço melhor.
2 – Também leva vantagem quem tem uma agenda mais flexível. Trocar suas milhas por uma passagem pode ser muito frustrante se você precisa viajar numa data específica, ou seja nas férias acadêmicas ou para ir a um casamento. Quem já tentou comprar um voo com milhas sabe que é quase impossível encontrar a viagem que se quer, ou, quando ainda existe essa possibilidade, custa muito mais milhas do que você pensou. Quem clica num e.mail promocional da Gol que diz "Viaje por apenas 4.000 milhas Smiles!" aprende rápido que a possibilidade pegar a viagem que quer com só 4.000 milhas é quase impossível.
Preciso contar os bastidores da minha viagem para a Nova Zelândia. A ideia era aproveitar a parceria entre a British Airways e a Qantas e usar minhas milhas para viajar de Nova York para Auckland pela empresa australiana. A passagem tem um custo oficial de 80.000 milhas e eu tinha mais de 120.000 na conta e uma agenda aberta. Mas apesar de eu tentar reservar com cinco meses de antecedência (em outubro, para voar em março), foi absolutamente impossível encontrar um voo disponível no site.

Leva vantagem no programa de milhas quem tem agenda flexível
Frustrado, liguei e expliquei para a atendente que o site não estava funcionando. "Estou disposto a viajar de Nova York para Auckland QUALQUER dia do mês de março e ficar QUALQUER prazo entre 15 e 30 dias." Muito difícil imaginar um pedido mais fácil. A atendente (muito simpática, a propósito) procurou, procurou e… não conseguiu nada. Me ofereceu uma alternativa: ida de Nova York para Auckland, e volta só até Los Angeles. Daí, eu podia esperar quatro dias e pagar mais 25.000 milhas para pegar outro voo (pela American, também parceira) para Nova York. Para mim, tudo bem, eu tinha as milhas e podia aproveitar para fazer uma matéria sobre a Califórnia. Mas para o turista típico (ou com só 80.000 milhas na poupança)? Impossível.
3 – Muitas milhas são perdidas por falta de uso. Imagina: se eu te desse R$ 1.000 em notas de R$ 50, você ficaria anos sem gastá-los e depois devolveria o dinheiro para mim? Duvido. Mas é isso que acontece com as milhas. Ou a pessoa tenta gastar e não consegue em nenhum voo, ou não tem oportunidade de viajar durante o prazo, ou esquece totalmente da existência das milhas. As milhas ficam sem uso, e depois de alguns anos, vencem. "Vencer" é uma forma simpática de dizer "o valor das milhas volta para a empresa aérea". Assim BILHÕES de milhas ficam sem uso. E as empresas aéreas lhes agradecem pela gentileza.
4 – Quem aproveita mais é quem passa muito tempo se atualizando no mundo das milhas e pesquisando as melhores ofertas. O mundo das milhas é perversamente complicado, e quem viaja pouco precisa ficar muito atento para poder aproveitar. Eu peguei essas milhas pela British Airways porque leio um blog em inglês, The Points Guy ("O Cara dos Pontos") que me avisou de um cartão de crédito que dava 100.000 milhas quase de graça. (Detalhe: o blog mais parecido em português é o absolutamente essencial MelhoresDestinos.) E depois eu passei horas tentando resgatar as milhas.

Custo dos programas de fidelidade é repassado, ainda que indiretamente, ao passageiro
5 – Os programas de fidelidade têm custo para as empresas aéreas. Óbvio que sim: tem que ter chefes e escritores, programadores e designers gráficos, escritórios e computadores. Alguém tem que pagar por tudo isto. E sabe quem é esse "alguém"? Você, claro. Mas talvez não da forma que você acha. E já chegamos ao capítulo mais surpreendente desta triste história.
Parece que o departamento de milhas de uma empresa aérea deve perder dinheiro (como qualquer departamento de marketing), porque só gasta e não recebe. Mas na pesquisa feita para esta coluna, aprendi que para muitas empresas aéreas o departamento mais lucrativo é justamente o de milhas. Como? Vamos lá. Muitos de vocês devem ganhar milhas com o Mastercard Bradesco Smiles, ou TAM Fidelidade Itaucard. E como que é que a Master, a Visa e os bancos têm as milhas para dar? Eles compram das companhias aéreas, claro, e nem sai barato. As empresas aéreas ganham duas vezes: quando os bancos compram as milhas e quando os consumidores não usam milhões delas.
Mas os bancos também não são tão generosos para comprar milhas e dar de presente para os clientes. Eles vêem como incentivo não só para atrair mais clientes e subir o preço anual do cartão, mas também para que os clientes comprem TUDO com cartão e nunca mais usem dinheiro.
E funciona. Quem vai pagar com dinheiro na padaria se podem pagar com cartão e ganhar milhas? Óbvio que os bancos adoram os juros da porção de clientes que não pagam as faturas pontualmente, mas isso só faz parte. Os comerciantes também pagam. Você já perguntou na sua padaria quanto eles perdem quando você paga com cartão de crédito em vez de dinheiro? Vá lá e pergunte. 3%, 4%, 5%. Ou seja, se um pão de queijo e um café custam R$ 2, até R$ 0,10 podem ir para os bancos, que mandam parte para as linhas aéreas pelas milhas.
Ou seja: por ridículo que pareça, o pão de queijo da esquina fica mais caro pela existência de programas de fidelidade das linhas aéreas.
A parte mais frustrante é que você não pode escapar do sistema. Se você decide viajar sem se cadastrar nos programas de milhagem, perdeu. Se você pagar em dinheiro no lugar de cartão? Bom, as linhas aéreas, os bancos e a Visa perdem um pouquinho, e o padeiro te agradece. Mas você ainda perdeu: ganhou um pão de queijo só, e as pessoas antes e depois de você na fila ganharam um pão de queijo… mais umas milhas.
As lojas poderiam recusar os cartões de crédito, o que algumas fazem, ou dar desconto para quem pagar com dinheiro, o que fazem outras. Mas as duas estratégias causam problemas e a batalha vai além disso. Alguém quer organizar um protesto massivo contra o sistema? Eu topo. Que tal um "Ocupa Smiles"? OK, mas mais um problema: não é culpa da Gol. A TAM fez primeiro, e como é que a Gol não vai fazer também? E a TAM teve que fazer porque a concorrência internacional estava fazendo. Etc. Etc.
E assim chegamos à minha triste conclusão. A melhor saída, apesar de imperfeita, é: se não pode vencê-los, junte-se a eles. Assim, que na próxima semana, a coluna dará dicas de como aproveitar dos programas de milhagem… e ainda ter tempo de levar seus filhos para o zoológico.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

"Eu fracassei" não pode se transformar em "eu sou um fracasso"

Jovem economista com estudos focados no comportamento humano, Tim Harford fala sobre a importância do erro e vários outros temas em entrevista ao Administradores.com

Por Rodolfo Araújo, www.administradores.com.br
 
Tim Harford é dos mais originais autores de uma nova geração de economistas que foca suas atenções no comportamento humano. Autor de "O economista clandestino" e "A lógica da vida", lançou recentemente"Adapt: why success always starts with failure" (FSG, 2011 - ainda sem previsão de lançamento no Brasil), no qual faz uma verdadeira ode ao erro.

Sua justificativa para tal é simples: o erro é componente irrevogável do processo de tentativa e erro, consagrada fórmula do método científico, cujos resultados inequívocos impulsionam a ciência. Enquanto isso, a Administração nega seus valores, apostando na claudicante e sempre incompleta expertise de gestores bem-intencionados, porém míopes.

Nesta ilustrativa entrevista, concedida ao nosso colunista Rodolfo Araújo, Harford explica por que é tão difícil livrar-se de velhos conceitos, como é possível aprender através do erro e por que é tão difícil entregar-se a ele.

Algumas das ideias testadas são contraintuitivas, mesmo depois de comprovadas. Como podemos superar nossa tendência de manter o status quo e duvidar de conceitos radicalmente novos?

Não é fácil. Só quando eu estava terminando os últimos rascunhos de Adapt foi que percebi que cada capítulo tinha um herói – alguém que lutou bravamente para testar algo novo. A tarefa deles não era fácil: do engenheiro que foi executado pela polícia secreta de Stalin, ao Coronel americano que, depois de desafiar os dogmas de Donald Rumsfeld na Guerra do Iraque, era repetidamente preterido nas promoções. Eles foram heróis porque é preciso um certo grau de heroísmo para desafiar ideias e poderes arraigados.

Por que atualmente prestamos mais atenção nestas ideias – por mais contraintuitivas que pareçam – do que fazíamos no passado? Por que a Economia Comportamental demorou tanto tempo para aparecer e questionar os princípios da Economia Tradicional?

A Economia Comportamental já existe há algum tempo. Aprendi as ideias de Daniel Kahneman no meu curso de graduação em Oxford, em 1993. Kahneman ganhou o Prêmio Nobel de Economia há quase uma década. E Richard Thaler, autor de Nudge, escreve uma coluna sobre a disciplina numa das mais importantes publicações de economia desde 1980, se não estou enganado. Creio que seja uma questão de percepção popular, acentuada mais pelo fato de a crise financeira ter arranhado a reputação da Economia Tradicional, do que pela forma como a Economia Comportamental procura explica-la.

Quando escolhemos uma teoria para testar, corremos o risco de sermos enganados pela falácia da explicação única – segundo a qual deixamos de ver outras causas para uma mesma consequência. Esta teoria da seleção natural não pode nos confundir na identificação de uma falsa relação de causa e efeito, baseada em simples coincidências?

Sim, é verdade: uma das partes mais difíceis do processo de tentativa e erro reside em descobrir o que realmente está errado. Esta é uma das razões pelas quais dediquei uma boa parte do livro em descrever o que conta como evidência, nos campos onde as evidências são consideradas de forma séria – como a Medicina – e a importância dos testes controlados quando fazemos tais experiências.

Em Prevenindo colapsos financeiros, ou: Dissociando, você usa a Teoria dos Sistemas Complexos e a analogia do queijo suíço*. Max Bazerman escreveu um livro inteiro sobre Surpresas Previsíveis (Predictable Surprises, Harvard Business School Press, 2008) e em Blink (Little Brown, 2005), Malcolm Gladwell diz que ao menos seis erros são necessários para ocorrer um acidente aéreo. Se todos os sinais da iminência de um desastre estão diantes de nós, por que ainda somos incapazes de preveni-los?

Em parte isso se deve à forma como as informações estão organizadas dentro de um sistema. Eu menciono um acidente terrível numa plataforma de petróleo, Pipper Alpha, no qual faltava uma informação crítica a respeito de uma bomba hidráulica desmontada. Ainda não se tem certeza sobre o motivo disso. Também cito a arquitetura da informação em Three Mile Island (usina nuclear americana que derreteu parcialmente em 1979), onde os engenheiros observavam 700 indicadores luminosos e mais de 100 alarmes, com a tarefa de descobrir o que estava acontecendo. Problemas semelhantes ocorreram durante a crise financeira – enquanto o Lehman Brothers se equilibrava à beira de um colapso, os reguladores simplesmente não sabiam quais eram as conexões entre o banco e os outros players, então não conseguiam enxergar o real impacto de uma quebradeira. O que precisamos é de sistemas de informações melhores.

Uma questão parecida é "o que acontece nas organizações quando as pessoas enxergam problemas"? Elas se manifestam ou permanecem em silêncio? Frequentemente, mesmo em acidentes graves – financeiros ou industriais – alguém viu o problema e ou não disse nada, ou soou o alarme e foi ignorado ou mesmo perseguido. Precisamos melhorar neste aspecto.

Quando você discute a questão ambiental, perguntando se a pessoa deve usar o transporte público ou não (já que o ônibus faz o seu trajeto independentemente de você estar nele ou não), você chega perto do Paradoxo de Sorites**. Isto justificaria muitas ações que poderiam resultar num desastre. Como os indivíduos – e a sociedade – devem se comportar ao se deparar com tais dilemas?

Cedo ou tarde a pessoa perceberá o que realmente faz a diferença e dispara a necessidade de outro ônibus precisar circular. O custo marginal de uma pessoa é gigantesco. O custo marginal de uma segunda pessoa é praticamente zero. A saída para o Paradoxo de Sorites é tirar a média dos dois: digamos que o custo de uma pessoa é $100 e o custo marginal de outras 99 é zero; então o custo marginal médio é $1. Isso é lógico do ponto de vista econômico, mas também satisfaz o bom senso. É um desses casos nos quais a teoria abstrata só atrapalha.

A Teoria dos Jogos diz que quando você muda as regras de um jogo, os participantes adaptam suas estratégias para se agarrar ao status quo. Como os reguladores podem prever melhor as consequências de suas (boas) intenções? É um problema de incentivos mal desenhados?

Penso ser praticamente impossível prever tais consequências. É melhor ser flexível e ficar atento, tentando se ajustar aos problemas conforme eles forem surgindo. Exceto em sistemas com estruturas muito rígidas, como nos casos dos bancos e usinas nucleares, como discutido anteriormente.

No começo do livro você diz que as pessoas devem experimentar para testar suas ideias – especialmente na medicina. Mas depois aconselha para que reduzamos as emissões de carbono, apesar de não haver evidências claras dos benefícios que isto pode trazer. Isto não é contraditório?

Há muitas questões para as quais um experimento não pode fornecer uma resposta, como Archie Cochrane, um dos herois do livro, entendeu muito bem. Realizamos experimentos em áreas onde isto é possível e usamos outras evidências nas outras onde não é. Eu ainda não estou 100% convencido a respeito das evidências de que as alterações climáticas provocadas pelo homem terão consequências severas, mas há evidências suficientes para justificar algumas atitudes.

Sua ideia de um imposto sobre o carbono é interessante, mas levanta algumas questões práticas: para onde iria o dinheiro? Como você poderia impor tal carga aos países pobres? Como você fiscalizaria o pagamento, se os gases não respeitam fronteiras políticas e alguns países simplesmente não pagariam?

Não acho que seja um problema tão grave quanto você imagina. Os países precisariam acordar o valor dos impostos em relação às taxas de câmbio e ajustá-las conforme necessário. O dinheiro seria cobrado localmente e a receita ficaria com os próprios governos. Isto não seria um fardo para os países pobres – poderia substituir outros impostos. E esta taxação deveria ser cobrada da mesma maneira que outros acordos internacionais: os países aderem voluntariamente assim como fizeram na Organização Mundial do Comércio. Não estou dizendo que seja fácil, mas já tivemos outros consensos ainda mais complicados. O problema é que muitos eleitores não acreditam que as mudanças climáticas sejam um problema, de fato.

"Aceitar tentativa e erro implica em aceitar o erro". Esta frase está em perfeita sintonia com o conceito de mindset de Carol Dweck, segundo o qual as pessoas com uma mentalidade fixa não conseguem lidar com fracassos, porque eles mostram suas falhas. Logo, precisamos nos sentir confortáveis com nossas próprias fraquezas. O quão longe estamos disso e por quê?

Sou fã do trabalho da Dra. Dweck. Precisamos entender que não devemos encarar os fracassos de maneira tão pessoal. "Eu fracassei" não pode se transformar em "Eu sou um fracasso" – isto não é a forma correta de se pensar. Imagino que, naturalmente, nós lutamos contra isso, mas podemos melhorar com a prática. Descobri isso escrevendo o livro: um erro não parece tão trágico quando você começa a se perguntar o que aprendeu. Sei que isso parece cliché – falar sobre erros como experiência de aprendizado – mas é verdade. E pode ser um cliché porque é repetido muitas vezes e repetimos tantas vezes porque é uma lição difícil de ser aprendida.

* Compara os buracos de um queijo suíço às falhas de um sistema. No queijo, os buracos estão distribuídos de maneira aleatória, de forma que você não pode, por exemplo, enxergar através dele. Mas se, de algum modo, todos eles se alinharem, você conseguirá ver o outro lado. Um sistema complexo, por sua vez, pode apresentar falhas individuais que, quando ocorrem separadamente, não comprometem o conjunto. Mas quando estas falhas acontecem de forma simultânea – como o alinhamento dos buracos – pode pôr tudo a perder.

** Onde come um, comem dois. Onde comem dois, comem três. Onde comem três, comem quatro etc.